23 23UTC outubro 23UTC 2009 at 1:18 PM (coisinhas de iaiá)

“Sempre logo que eu acordo eu penso que nunca mais vou acordar.
Nunca mais. Tem também um lance do teto começar a pesar em mim,
como se até o estado de não ter estado nenhum fosse insuportável”

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28 28UTC setembro 28UTC 2009 at 10:40 PM (coisinhas)

“Duas vozes lutavam dentro de mim. Uma queria ser boa e corajosa,
a outra que dizia à boa para calar a boca.”

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Frases de filmes

27 27UTC setembro 27UTC 2009 at 10:38 PM (coisinhas)

“Cada minuto que passa é uma nova chance para mudar tudo para sempre.”

Quando me perguntarem do q eo mais gostei, vou dizer q foi de vc” (Cidade dos Anjos)

Mude alguma coisa…e tudo muda!!!
Efeito borboleta!

Qdo todas as escolhas doem, como saber qual é a certa?”

“You jump, I’ll jump, remember?”
(Vc pula, eu pulo, lembra?)

“Se te protegi foi pq queria ficar mais tempo com vc”.

Pearl Harbor
“…Amar vc me manteve vivo, enquanto eu estava na água,eu fiz um trato com Deus! Se ele me deixasse ver seu rosto mais uma vez, nunca mais pediria nada a ele. Bom, ele cumpriu a parte dele e eu vou cumprir a minha, irei embora sem pedir nada…!”

wasn´t over! Still isn´t over! (o diário de uma paixão)

” Você me deu paz em uma vida de guerra”
TRÓIA..

SENHOR DO ANÉIS- O RETORNO DO REI…….
“Não direis que não chores, porque afinal nem todas as lagrimas são ruins”

“You can’t lose what you never had”
“vc n pode perder o q vc nunca teve” –> Como perder um homem em 10 dias!!

CIDADE DOS ANJOS
ALGUMAS COISAS SAO VERDADEIRAS ACREDITE NELAS OU NAO

- Why do you love her?
- I love her because she doesn’t need me.
(- Porque você a ama?
- Eu a amo porque ela não precisa de mim.)
(diálogo entre Anna e Dan no filme “Closer”)

eu te amo… eu te amo muito. talvez até mais do que alguém pode amar outra pessoa.(Como se fosse a primeira vez )

-um passaro pode amar um peixe, mais onde eles viveriam?
-Então terei q te dar assas.(Para sempre Cinderela)

I’ll love you until my dying day !
Mulin Rouge .

“Un baiser c’est le point mis sur le i du verbe aimer.”
(Um beijo é o pingo do i do verbo amar)
(Jogo de sedução)

“Ela pensa nele quando esta sozinha.Ele tbm ainda pensa nela.Isso as vezes acontece ao mesmo tempo.Eles se relacionam ate mesmo sem saber!”-Garota da Vitrine

“Apenas sorria e acene!”-Madagascar

“De repente o mundo vira um lugar perfeito.De repente ele se move graciosamente.De repente minha vida não parece ter sido um desperdicio.E isso tudo gira em torno de vc!”-Moulin Rouge

“Eu poderia morrer agora, estou tão feliz. Nunca senti isso antes. Estou exatamente onde queria estar”
(Brilho eterno de uma mente sem lembrança)

“eu carrego o seu coraçao
eu o carrego em meu coração”
Em seu lugar

“Pessoas sofridas são perigosas porque
elas sabem que podem sobreviver…”
(do filme Perdas e Danos)

“Sigam-me os bons!”
“Siganme los buenos!”

Eu não vim aqui pra dizer que eu não consigo viver sem vc,
Eu consigo viver sem vc, eu só não quero….
“Dizem por aí”

COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ
“O verdadeiro homem ,naum é aquele que conquista várias mulheres no mesmo dia…
e sim… akele que conquista a mesma mulher todos os dias…!!!!!!!!!!!!!!

O Senhor das Armas
Sei que tem de haver algo por detrás disto, mas não vou fazer-te perguntas. Não quero ouvir-te mentir.

“O barulho, é relativo ao silêncio que o precede. Quanto mais absoluta a quietude, mais devastadoras são as palmas”

“A melodia é como ver alguém pela primeira vez. É a atração física. É o sexo. E o conhecimento do outro é a letra. A história dos dois, quem são de verdade. É dessa combinação que nasce uma grande canção.” – Letra e Música -

“Basta dizer que não sou mais muitas coisas que eu era. E que agora sou coisas que eu nunca pensei que seria, mas sou.”
“Eu o amava. Eu o amava. Mas, às vezes, as pessoas que se amam de verdade têm um talento excepcional pra se fazerem mutualmente infelizes.”
“Você tem 38 anos e aparenta a sua idade. E ano que vem terá 39. Depois 40 e, depois dos 40, você pode morrer. Se o cardiologista resolver que você está muito velha e feia pra ser amada, eu posso aturá-la pelo resto da vida!”
conhecido aqui no Brasil, como ‘Nosso amor do passado’

“Amei você boa ou má….do começo ao fim…”

“Pode rir,porque eu amei você,e pode rir de novo porque eu ainda amo”
Eu te amei do início ao fim a primeira e a ultima…”

“Não se preocupe comigo sou feliz cada hora do dia, minha vida é plena, porque eu sei que sou amado”. O Homem Elefante

my dear, I don’t give a damn!

Passamos por aquilo que tínhamos que passar
É assim quando você vai tirar férias
Você planeja tudo direitinho
Mas ai um dia, você faz uma curva errada ou pega um atalho
E acaba saindo em um lugar estranho que nem consegue achar no mapa.
E começa a fazer coisas que nem imaginava
Talvez se sinta um pouco perdido durante o trajeto
Mas depois percebe que foi a melhor parte de toda a viagem
(3 Formas de Amar)

“vc foi a minha vida, mas eu fui só um capitulo da sua…”
“P.S.: Eu sempre te amarei”

“Comprovei que tudo que já foi escrito sobre o amor é verdade. Shakespeare disse: “as buscas terminam com o encontro dos apaixonados”. Que idéia maravilhosa!! Pessoalmente, eu nunca passei por nada parecido com isso. MAs estou convencida de que Shekespeare já. Suponho que penso no amor mais do que deveria; me admira o grande poder do amor em alterar e definir as nossas vidas. Shekespeare também disse que o amor é cego. Isso sei que é verdade.
Para alguns, sem explicação, o amor se apaga. Para outros o amor se vai.. ou brota quando menos se espera, mesmo que seja só por uma noite.
No entanto, existe outro tipo de amor. O mais cruel… aquele que quase mata suas vitimas. Chama-se “amor não correspondido”. E nesse tipo, sou experiente. A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente. Mas, o que acontece com os demais? E as nossas histórias? Aqueles que se apaixonam sozinhos? Somos vitimas de uma relação unilateral. Somos os amaldiçoados dos amantes, somos os não amados. Os mortos vivos, os deficientes sem estacionamento reservado…”

“Mesmo você sabendo que ama a pessoa errada, tem esperança de estar errado, então qualquer atitude positiva que ela fizer vai fazer você esquecer o quanto ruim essa pessoa é para você… “

Cada escolha que fazemos, decepcionamos alguém… Só temos que ter cuidado para não decepcionar as pessoas erradas! (Click)

“Estou tentando dizer que compreendo como é se sentir pequeno e insignificante como ser humano. Como isso dói em lugares que nem sabíamos existir lá dentro. E não importa seus novos cortes de cabelo, suas novas academias, nem os copos de Chadornnay que beba com suas amigas… Quando se deitar, continuará relembrando cada detalhe e se perguntando o que fez de errado ou porque não percebeu. E como pôde, por aquele breve momento, achar que era feliz? Pode até se convencer que ele vai se tocar… E aparecer na sua porta. E depois disso tudo, seja lá o tempo que demorar. Você vai para um lugar diferente e conhece gente que a faz se sentir querida… E os pequenos pedaços da sua alma finalmente retornarão. E toda aquela bagunça… Todos aqueles anos que você perdeu na sua vida… Começarão a desaparecer.” O Amor Não Tira Férias

“Sei exatamente como é querer morrer, como dói sorrir, como vc tenta se ajustar e não consegue, como você se fere por fora tentando matar o que tem dentro…”

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Caio Fernando Abreu

7 07UTC junho 07UTC 2009 at 3:10 AM (Leituras)

”E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer”

“…tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado…”

”Não estou fazendo nada errado só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas”

Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido.

“Por trás da palma da mão contra o peito, por trás do pano da camisa entre massas de carne entremeadas de músculos, nervos, gorduras, veias, ossos, o coração batia disparado. Você vai me abandonar – repetiu sem som, a boca movendo-se muito perto do fone – e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.”

Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido.

Tenho um amor fresco e com gosto de chuva e raios e urgências. Tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa .me escorrem desejos pelo rosto pelo corpo. Um amor susto. um amor raio trovão fazendo barulho. me bagunça. e chove em mim todos os dias.

Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou “quase” certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu “quase” tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”

Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto.

Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade. Meus amigos são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido.. Dei esse exemplo meio barra pesada de me matar….esquece, posso ligar para ver o nascer do sol no Ibirapuera às cinco da manhã. Já fiz isso, inclusive.

(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa.

Mas não me queixo. O amor que sinto pelos outros quase sempre é suficiente, não precisa nem ter volta.
Na vida, as coisas mais doces custam muito a amadurecer. Mas isso é pensamento de gente grande, deixa pra lá.
“Não lembro de ninguém assim tão à flor de si mesmo.”
“Tenho aprendido coisas com ele. Nada muito sensacional, coisas simples, pequenas alegrias.”

“Penso também outra coisa de gente grande: não adianta muito você se enfeitar todo pra uma pessoa gostar mais de você. Porque, se ela gostar, vai gostar de qualquer jeito, do jeito que você é mesmo, sem brilhos falsos..”
“Completamente insano, mas extremamente sábio”
“Sofre horrores mas continua do bem, sempre inventando histórias com final feliz.”
“Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor.”
“Minhas obviedades possuem mapas complexos.”

“Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém.”

“E exigimos o eterno do perecível, loucos!”
“Abraçe a sua loucura antes que seja tarde de mais.”

“Fiquei ali parado, procurando alguma coisa que não estava nem esteve ou estaria jamais ali.”

“Ah, então foi pra ele que eu dei meu coração e tanto sofri? Amor é falta de QI, tenho cada vez mais certeza”

“Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável.”

“Alguma coisa em mim-e pode-se chamar isso de “amadurecimento” ou “encaretamento” ou até mesmo “desilusão” ou “emburrecimento”-simplesmente andou, entendeu?Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho que perdi nas escadarias.Não sinto mais impulsos amorosos.”

‘ Eu queria que não fosse assim, que não tivesse sido assim. Mas não consegui evitar. A semente recusava-se a vir à tona, eu nem sempre tinha tempo ou vontade de regá-la, e não chovia mais – foi isso que aconteceu ‘

“Que se possa sonhar, isso é o que conta.”

“Relaxa baby e flui: barquinho na correnteza, Deus dará.”

“e então eu disse que sim, que estava disposto, que eu teceria. Que eu teço.”

“Seja como for, continuo gostando muito de você – da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade…”

‘(…) e a gente esquece sabendo que está esquecendo.’

“Talvez tudo, talvez nada. Pque era cedo demais e nunca tarde. Era recem no inicio da NÃO-morte dos dois.”


“Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva”.

“sempre há alguma coisa que falta. guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa”

“Te mando retalhos de amor”

“Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu.”

” Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (…) “

“De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…”

“…Mas se tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo…”

“inesperadamente, ela chegou por trás e afundou os dedos no seu cabelo, coçando-lhe a cabeça como fazia antigamente. Ele voltou-se e afundou os dedos no seu cabelo, coçando-lhe a cabeça como fazia antigamente. Depois os dois se abraçaram e se deram beijos nas duas faces e como duas pessoas que não se vêem há muito tempo atropelaram perguntas como: por onde é que tu anda, criatura”.

” Não é que pensei outra coisa de gente grande? Esta é assim: tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco. “

“…Afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome…”

***”Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar.”

“E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida…”

Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas.. Me queira bem. Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.

Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo,

P.S.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol.

“… e me dá uma saudade irracional de você.”

Isso é amor.

— Será? Tem coisas, tem coisas que ele escreve que parecem. Não sei, parecem verdade, entende? Ele me toca, mexe comigo. Talvez eu esteja assim todo lisonjeado porque alguém parece prestar tanta atenção em mim”.

”Você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não out”

“No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio”

Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.

Porque chega uma hora em que você tem que escolher a vida. Eu talvez não saiba bem ainda o que isso significa, mas é claro para mim que a hora desta escolha é agora, está acontecendo.

“Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, tudo era seu.  sempre foi.”

“Na minha memória – tão congestionada – e no meu coração – tão cheio de marcas e poços – você ocupa um dos lugares mais bonitos”

“Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros”

‘ Agora pensei outro pensamento de gente grande. É assim: vezenquando, uma coisa só começa mesmo a existir quando você também começa a prestar atenção na existência dela. Quando a gente começa a gostar duma pessoa, é bem assim’

“E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo (…) que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era”.

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.”

“Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo.”

“Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir ,que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem”

“Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre.”

“Não chegaram a usar palavras como especial, diferente ou qualquer outra assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las.”

“se tocada por dedos bruscos, me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.Tenho pensado se não guardei indisfarçáveis remendos das muitas quedas.Embora sempre os tenha evitado, aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia…”

“…Folha soprada por muitos ventos, levada por muitas terras,

conhecedoras de muitos segredos, mas cansada, ah, infinitamente

cansada, querendo parar, por um instante debruçar-se ao bocal de um poço

e ver o próprio corpo, corpo amarelado, pisoteado, desfeito…”

“Plâncton, ele disse, é um bicho que brilha quando faz amor”

“- Você tem grades nos olhos – disse. Acendeu o cachimbo. Um perfume adocicado misturou-se ao cheiro de mar. – Elas estão quase sempre abertas. Não são suficientemente estreitas para prender alguém ou alguma coisa. Houve um dia que você deixou alguém fugir por entre as grades.”

“(…) Ah. Menina, o que foi que foi que aconteceu com você? O que foi que fizeram com você? Eu não sei, eu não entendo. Roubaram a minha alegria, Tiamelinha quando foi pra clínica só dizia isso: roubaram a minha alegria, é tudo uma farsa, aquele olho desmaiado, é tudo uma farsa, roubaram a minha alegria. A primavera, o vento, esperei tanto por essa margarida, e veja só. Atrofiada. Aleijada. As pedras frias do chão da cozinha , rolar nua neste chão, qualquer dia faço uma loucura, faz nada, você está nessa marcação faz mais de dez anos. Mais de dez anos. A gente se entrega nas menores coisas. “

“Como chegar para alguém e dizer de repente eu te amo para depois explicar que esse amor independia de qualquer solicitação, que lhe bastava amar, como uma coisa que só por ser sentida e formulada se completa e se cumpre? Pois se ninguém aceitaria ser objeto de amor sem exigências…”

["Amor" - Inventário do Ir-remediável]

“A grande mentira que ele era, era verdade. Ou : a mentira nele nunca fora fraude, mas essência. Seu segredo Mais fundo e mais raso, dái quem sabe a surpresa branca de quando ouvira um quase-amigo dizer que não passava de um personagem.”

“Parece-me agora, tanto tempo depois, que as partidas-dolorosas, as amargas separações, as perdas-irreparáveis costumam lavrar assim o rosto dos que ficam.”

“Não gosto quando a gente fica falando assim no que não foi, no que poderia ter sido. God! Não aos sábados, principalmente a noite. Não hoje, por favor, hoje não dá, eu tenho. Eu tenho uma sensação meio de amargura, de fracasso. Você me entende? Como se tivesse a obrigação de ter sido, ou tentado ser, outra pessoa.”

“Os dias se interromperam quando ele ia embora. Recomeçavam apenas no mesmo segundo em que tornava a chegar. Não sei quanto tempo durou. Só comecei a contar os dias a partir daquele dia em que ele não veio mais. Desde esse dia, perdi meu nome. Perdi o jeito de ser que tivera antes de Pedro, não encontrei outro.”

‘Como se algo estivesse perfeito. Eu insisto no perfeito, era assim: pouco antes da perfeição se cumprir. Perfeito, preparado para acontecer e, de repente, não acontecesse. Não acontece. E logo depois, quando você ainda nem entendeu direito o que aconteceu, ou o que não aconteceu, ou por que deveria ter ou não ter acontecido, vem alguém de repente e te dá um soco no estômago. E a mão que daqui a pouco você tinha certeza que ia estar cheia, pronto!, está vazia de novo’

“Te vi por detrás das rosas e havia nos teus olhos uma ânsia muda. Algo assim como se quisesses falar comigo. Juro que na saída tentei me aproximar. Mas tive medo. Sei que ainda vamos ser amigos. Não quero forçar nada”.

Uma história confusa (Ovelhas Negras / Caio Fernando Abreu)

“Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar.”

“Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto 7, outro de sandália havaiana.”

“Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo”

“Tenho agradecido por estar vivo e ter andado por todos os lugares onde andei e ter vivido tudo o que vivi e ser exatamente como eu sou.”

“E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam – e queimar também destrói.”

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Ao lado havia Outra Pessoa. A Outra Pessoa olhava-o com cuidadosos olhos castanhos. Os cuidadosos olhos castanhos eram mornos, levemente preocupados, um pouco expectantes. As transformações tinham se tornado tão aceleradas que, no primeiro momento, não soube dizer se a Outra Pessoa via a ele ou a Ela, se se dirigia à moldura, à casca, ao cristal ou ao desenho, ao corpo original, às gotas de sangue. Isso num primeiro momento. Num segundo, teve certeza absoluta que se tinha desinvisibilizado. A Outra Pessoa olhava para uma coisa que não era uma coisa, era ele mesmo. Ele mesmo olhava para uma coisa que não era uma coisa, era Outra Pessoa. O coração dele batia e batia, cheio de sangue. Pousada sobre seu ombro, a mão da Outra Pessoa tinha veias cheias de sangue, latejando suaves.

Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.

“Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido – e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero.”

“Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas, e portanto irremediáveis, transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos. Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim.”

“Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará.”

‘Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo.’

- “Só nós dois, sós os dois, sóis os dois.”

- “Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã.”

- “Tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas a alma existe mesmo? E quem garante? E quem se importa?”

- “E amanhã não desisto. Te procuro em outro corpo, juro que um dia te encontro. Não temos culpas. Tentei. Tentamos.”

Mas eu quero mais é aquilo que não posso comprar. Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. é por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor.

” Amanhã é dia de nascer de novo. Para outra morte.”

Alento

Quando nada mais houver, eu me erguerei cantando,

saudando a vida com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida entregarei meu ser ao ser do Tempo

e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há

solto no vazio do que ainda não veio,

minha boca cantará cantos de alívio pelo que se foi,

cantos de espera pelo que há de vir.

(Extraído do livro Caio Fernando Abreu – Caio 3D, O Essencial da Década de 1970, p.144)

“Por mais que se movimentasse em gestos cotidianos – acordar, comer, caminhar,
dormir – dentro dele algo permanecia imóvel. Como se seu corpo fosse apenas
a moldura do desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos olhos fixos na
distância. Ausentou-se, diriam ao vê-lo, se o vissem. E não seria verdade. Nesses
dias, estava presente como nunca, tão pleno e perto que estava dentro do que
chamaria – tivesse palavras, mas não as tinha ou não queria tê-las – vagas e
precisamente de; A Grande Falta”

- No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem.

“O silêncio tornou-se tão denso que cada movimento precisava ser feito devagar, como se o ar pesasse à nossa volta, dificultando os gestos. Quis pensar então na minha vida antiga, mesmo uma nem muito remota, que fosse pelo menos até pouco antes do pôr-do-sol quando, ao voltar para casa, do caminho cercado de hibiscos que liga o portão de entrada à varanda, enxerguei Virgínia ajustando a luneta para observar Vênus. Não consegui lembrar mais nada. Eu não tinha passado. Acho que pensei que não tivesse talvez também futuro.”

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Rita apoema (textinhos que gosto)

3 03UTC junho 03UTC 2009 at 8:34 PM (Leituras)

“Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram… mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?  “

“Não precisa ficar com ódio até crescer, quando ele abrir a porta e com mãos adultas esmagar seus sonhos de criança, haverá no gesto delas o desespero de um adulto tentando abrir com força uma caixinha de música, que nunca mais tocou ao seu coração rude. Não vê como bravo, ele está triste, procurando a infância dentro de você? Não vê como os seus braços, violentos, apertam tanto, tanto… querendo abraçar? Não vê como seus olhos duros estão querendo chorar? Vem, moço, vem brincar no balanço e no gira-gira. Vem ver a pequenina bailarina rodar.  “

“Não precisa ficar com medo. Quando a sua mãe não abrir a porta e você passar o dia todo para o lado de fora, eu vou brincar com você e te abraçar tão forte que este sentimento de abandono irá se transformar em mil e quinhentas borboletas no ar, rodopiando em seu cabelo, fazendo cócegas em sua barriguinha. Então, você irá entender que sua mãe não pode abrir a porta porque dentro do quarto onde ela chora, faz tanto frio e tanto medo que o jeito mais bonito que ela encontrou de te amar foi te deixar para o lado de fora.”

“Deitada na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e – curioso – algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.”

“A dança não é nos braços ou nas pernas; sequer em qualquer movimento. A dança é isso aqui dentro, uma moça tímida que passa os seus dias trancada, até pensar que os tambores da música são apenas os seus amigos… batendo na porta.”

“Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor? E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo? Foi esses dias, Teresinha, eu aninhei as mãos de minha avó por dentro das minhas, encostando o meu rosto em seus dedos tão frios, como se ela tivesse acabado de nascer em seu corpinho já envergado pelo tempo e marcado pelos dias. Naquele segundo, eu entendi que nada era mais urgente, nem mais importante, do que ouvir a minha avó reaprendendo a falar… e que eu sequer começaria a ver alguém – além de mim mesma – se não pudesse enxergar as pessoas para as quais olhei a vida inteira.”

“Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto… até que amanheça.”
“Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.”

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VeRsos SoltoS

27 27UTC fevereiro 27UTC 2009 at 1:36 AM (Leituras)

Eu falhei, várias e várias vezes na minha carreira, e foi por isso, que eu tive sucesso! (Michael Jordan)

Justo quando a lagarta achava que o mundo tinha acabado, ela virou uma borboleta. (Lamartine)

A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas. (Em “Caderno H”)

“…o sonho é um prestigiador hábil, muda as proporções das coisas e suas distâncias, separa as pessoas, e elas estão juntas, reúne-as, e quase não se vêem uma à outra…”
(Saramago-O conto da ilha desconhecida)

“(…) as velhas fotografias enganam muito, dão-nos a ilusão de que estamos vivos nelas, e não é certo, a pessoa para quem estamos a olhar já não existe, e ela, se pudesse ver-nos, não se reconheceria em nós.” (Todos os nomes)

(…) as músicas e as vozes chegam cômodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. São Paulo, Companhia das Letras, 2006. p. 42.

“Você erra com uma força que não se pode deter… Acho mesmo que errar com essa violência é mais bonito que acertar(…) é como ser um herói…”( O Lustre)

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Versos Soltos

26 26UTC fevereiro 26UTC 2009 at 8:13 AM (Leituras)

“Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.”

… o melhor sinal de se estar no caminho certo é não ficar aflito por não entender..

“E as pancadas ela esquecia, pois esperando-se um pouco a dor termina por passar”

“Nossa geração teve pouco tempo começou pelo fim! Mas, foi bela a nossa procura, Ah! Moça! Como foi bela a nossa procura! Mesmo com tanta ilusão perdida e quebrada, Mesmo com tanto caco de sonho, Onde até hoje a gente se corta!”

“Derramei três lágrimas: a primeira escorreu pela face e perdeu-se na boca; a segunda morreu achatada contra o assoalho; a terceira caiu na tua mão. E foi a que mais doeu”.

“Na minha memória – já tão congestionada – e no meu coração – tão cheio de marcas e poços – você ocupa um dos lugares mais bonitos.”

Intimamente fora ela ainda quem ousara levar-se além do que poderia, novamente fora ela quem criara o momento da dor, temia-se surpreendida pela fraqueza com que se conduzia a viver…

Todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.

“estava presa a ele porque queria ser desejada, sobretudo gostava de ser desejada meio selvagemente quando ele bebia demais.”

“Mas era tarde: ela já ansiava por novos êxtases de alegria ou de dor.”

“eu olhava pra ele, era o homem mais lindo q já vi, mas não queria ele pra mim, assim como não quero nem a lua nem as estrelas…”

“Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda que nos vale é sermos capazes de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos.”-

Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua… E continuaram a pisar em cima dele.

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

Não sou eu que me faço voar, o amor é que me voa!! E atravessa o vazio entre nós pra te dar a mão…

Não sou eu que me faço voar, o alto é que me voa! Meu amor é um passo de fé no abismo em seu olhar..

É que só sei ser impossível, não sei mais nada. Que é que faço para conseguir ser possível?

“A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação – porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.”

“As vezes penso que sou o homen mais solitário do mundo… Não tem nada a ver com a presença dos outros; Na verdade, Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia. “

Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amor.

“só temos de Deus o que cabe em nós”

“E EU QUE ESPERAVA FOGOS DE ARTIFÍCIO, ESQUECI QUE AS ESTRELAS NAO FAZEM BARULHO.”

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14 14UTC novembro 14UTC 2008 at 9:38 PM (coisinhas do amor)

Sim, tenho vontade de me jogar pela janela, mas nunca foi possível abri-la.

Não, não sei o que gostaria que você me dissesse..

Dorme, quem sabe, ou está tudo bem, ou mesmo: esquece, esquece.”

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Clarice Lispector – pedaços soltos

13 13UTC novembro 13UTC 2008 at 12:34 AM (Leituras)

Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto – uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.

(Trecho do conto ‘Os desastres de Sofia’, in “Felicidade Clandestina)


Bem tranqüila, Lori, vá bem tranqüila. Mas cuidado.É melhor não falar, não me dizer. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.

— Por que é que você olha tão demoradamente cada pessoa?

Ela corou:

— Não sabia que você estava me observando. Não é por nada que olho: é que eu gosto de ver as pessoas sendo.

(…)

Ele examinou-a e por um momento estranhou-a, aquele rosto familiar de mulher. Ele se estranhou, e entendeu Lóri: ele estava sendo.

Ficaram calados como se os dois pela primeira vez se tivessem encontrado. Estavam sendo.

(pag 83)

Vestiu um vestido mais ou menos novo, pronta que queria estar para encontrar algum homem, mas a coragem não vinha. Então, sem entender o que fazia — só o entendeu depois — pintou demais os olhos e demais a boca até que seu rosto branco de pó parecia uma máscara: ela estava pondo sobre si mesma alguém outro: esse alguém era fantasticamente desinibido, era vaidoso, tinha orgulho de si mesmo. Esse alguém era exatamente o que ela não era.

(90)

— Viver, disse ela naquele diálogo incongruente em que pareciam se entender, viver é tão fora do comum que eu só vivo porque nasci. Eu sei que qualquer pessoa diria o mesmo, mas o fato é que sou eu quem está dizendo.

— Você ainda não se habituou a viver? perguntou Ulisses com intensa curiosidade.

— Não.

— Então é perfeito. Você é a verdadeira mulher para mim. Porque na minha aprendizagem falta alguém que me diga o óbvio com um ar tão extraordinário. O óbvio, Lóri, é a verdade mais difícil de se enxergar.

(Trecho de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)


“Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante.(…)
Tudo se resumia ferozmente em nunca dar o primeiro grito – um primeiro grito desencadeia todos os outros, o primeiro grito ao nascer desencadeia uma vida. Se eu gritasse acordaria milhares de seres gritantes que começariam pelos telhados um coro de gritos e horror. Se eu gritasse desencadearia a existência – a existência de quê? A existência do mundo. Com reverência eu temia a existência do mundo para mim. (…)
Eu com uma vida que finalmente não me escapa pois enfim a vejo fora de mim – eu sou minha perna, sou meus cabelos, sou o trecho de luz mais branca no reboco na parede – sou cada pedaço de mim – a vida em mim é tão insistente que se me partirem – como uma largatixa, os pedaços continuarão estremecendo e se mexendo. Sou o silêncio numa parede, e a borboleta mais antiga esvoaça e me defronta: a mesma de sempre. De nascer até morrer é o que eu me chamo de humana, e nunca propriamente morrerei.”

(Trecho de A Paixão Segundo G.H.)

” Quero o material das coisas. A humanidade está ensopada de humanização, como se fosse preciso; e essa falsa humanização impede o homem e impede a sua humanidade. Existe uma coisa que é mais ampla, mais surda, mais funda, menos boa, menos ruim, menos bonita. Embora também essa coisa corra o perigo de, em nossas mãos grossas, vir a se transformar em “pureza”, nossas mãos que são grossas e cheias de palavras.”

(Trecho de A paixão segundo G.H.)

Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

E será inútil esforçar-se para esquecer – tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes – mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.

“O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”

“Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.”

“Cada vez mais ela não sabia explicar. Transformara-se em simplicidade orgânica. E arrumara um jeito de achar nas coisas simples e honestas. Gostava de sentir o tempo passar. Embora não tivesse relógio, ou por isso mesmo, gozava o grande tempo. Era supersônica de vida. Ninguém percebia que ela ultrapassava com sua existência a barreira do som. Para as pessoas outras ela não existia. A sua única vantagem sobre os outros era saber engolir pílulas sem água, assim a seco.”

“…já que ela não era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada tivesse perdido… E mesmo tristeza também era coisa de rico, era para quem podia, para quem não tinha o que fazer. Tristeza era luxo.”

“Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.”
“Mas para a sua alegria inesperada, percebeu que o amaria sempre.”

“Não é saudade… Eu tenho agora minha infância mais do que quando ela decorria.”
“Timidamente eu me deixava transpassar por uma doçura que me encabulava sem me constranger.”
“É mentira dizer que a gente não pode ser ajudada. Sou ajudada pela mera presença de uma pessoa vivendo. Sou ajudada pela saudade mansa e dolorida de quem eu amei. E sou ajudada pela minha própria respiração. E há momentos de riso ou de sorriso. De alegria, a mais alta.”

“A verdade então descoberta era tão verdade que não podia subsistir senão no seu recipiente, no próprio fato que a provocara. Tão verdadeira, tão fatal, que vive apenas de sua matriz. Uma vez terminado o momento de vida, a verdade também se esgota.”

“Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.”

“Com o passar do tempo ela ia se tornando mais habituada, como se aos poucos estivesse se habituando à Terra, à Lua, ao Sol e,estranhamente, a Marte sobretudo. Estava numa espécie de plataforma de onde por átimos de segundos parecia ver a super-realidade do que é verdadeiramente real. Mais real do que a realidade.”

“Eu continuo. Não sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será.”
“As palavras traem o que a gente sente.”

“Há pessoas que nascem para serem sós a vida inteira. Eu, por exemplo. (…) Freqüentemente me assusto, pensando que a vida vai acabar sem que eu encontre um grande amor ou uma grande amizade, ou mesmo uma grande vocação que justifique esse isolamento.”

“Bem sei que gostarias. Mas não te colocarão na cruz, querido. Quanta vaidade, quanto palavreado tolo, quanta culpa idiota.”

“As pessoas suportam tudo, as pessoas às vezes procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autofágica, consumida em si mesma, transformada em outra coisa que não saberia dizer qual era.”

“..É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Para que um sentimento perca o perfume e deixe de intoxicar-nos , nada há melhor que expô-lo ao sol..”

“Um domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente – como em dores de parto – e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica. Sem menina dentro de mim.”

“Eu tenho que ser legível quase no escuro.”

…”E, quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande
que o coração lhe batia por todo o corpo, parecia-lhe que mil corações
batiam-lhe nas profundezas de sua pessoa. Um direito de ser tomou-a,
como se ela tivesse acabado de chorar ao nascer.”

” Eu escrevo para fazer existir e para existir-me.
Desde criança procuro o sopro da palavra que dá vida aos sussurros.”

“De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é”

“Sentia uma dor imutável e calma no peito como se tivesse engolido o próprio coração e o suportasse com dificuldade”

” O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentindo menos dor, perdeu a vantagem da dor como aviso e sintoma. Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno, porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio.”

“Tinha a vontade de “me gastar”, de perder um braço, de passar por dores e constrangimentos terríveis. Numa palavra: Tinha coragem!”

“viver me deixa tão impressionada, viver me tira o sono”

“eu quero a atualidade sem enfeitá-la com um futuro que o redima, nem com uma esperança”

“Comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. Eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. E além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo”.

(Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)


“Meu mistério é simples: eu não sei como estar viva. É que você só sabe, ou sabia, estar viva através da dor.É. E não sabe como estar viva através do prazer? Quase que já. Era isso o que eu queria te dizer”.

(Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres)


“Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite – tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E através da piedade aparecia a ela uma vida cheia de náusea doce, até a boca.”

“Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma.”

“Oh, não se assuste, as vezes, a gente mata por amor, mas eu juro que um dia a gente esquece, juro”

“Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.”

“Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam. Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.”

Posso dizer tudo?
-Pode.
-Você compreenderia?
-Compreenderia. Eu sei muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e, por ser um campo virgem, está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor; é a minha largueza. É com ela que compreenderia tudo. Tudo que não sei é que constitui a minha verdade.

“O cacto é cheio de raiva com os dedos todos retorcidos e é impossível acarinhá-lo. Ele te odeia em cada espinho espetado porque dói-lhe no corpo esse mesmo espinho cuja primeira espetada foi na sua própria grossa carne. Mas pode-se cortá-lo em pedaços e chupar-lhe a áspera seiva: leite de mãe severa.”

“Talvez quem me faz sofrer precisa que eu sofra.”

“A estrutura do átomo não é vista, mas sabe-se dela. Eu sei de muita coisa que não vi…e vós também. Não se pode provar a existência do que é mais verdadeiro. O jeito é acreditar…acreditar chorando.”

” Estou felizmente mais doida. E minha ignorância aumenta. A diferença entre o doido e o não-doido é que o não-doido não diz nem faz as coisas que pensa.”

“sentou-se no banco de um atalho e ali ficou muito tempo. A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si.”

“E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver. “

“seu coração se enchera com a pior vontade de viver.”

“Dor é vida exacerbada. O processo dói. Vir-a-ser é uma lenta e lenta dor boa. É o espreguiçamento amplo até onde a pessoa pode se esticar”

“Suponho que, arbitrariamente contrariando o sentido real da história, eu de algum modo já me prometia por escrito que o ócio, mais que o trabalho, me daria as grandes reconsas gratuitas, as únicas que aspirava. É possível também que já então meu tema de vida fosse a irrazoável esperança, e que eu já tivesse iniciado a minha grande obstinação: eu daria tudo o que era meu por nada, mas queria que tudo me fosse dado por nada.”

“Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero; e, porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo quem me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.” (A Legião Estrangeira)

“Como começar do início, se as coisas aconteceram antes de acontecer?”

“Sou mansa. Mas minha função de viver é feroz”

“Talvez você seja feliz um dia, não compreendendo, de uma felicidade que poucas pessoas invejarão.”

“Era cruel o que fazia consigo propria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer um pouco melhor, ja que a ferida estava aberta.”

“Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.”

“Há coisas que só se aprende quando ninguém ensina.”

“De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã.”

“Se tocada por dedos bruscos, me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.Tenho pensado se não guardei indisfarçáveis remendos das muitas quedas.Embora sempre os tenha evitado, aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia…”

“Te parece dócil, assim sinuoso, querendo que se sinta especial? Pois a mim parece falso, conheço bem tais tramas e sei de todas as vezes que concedeu para que o de fora não o ferisse. Olha, ouve e repara: essas sinuosidades são de cobra, não de ave.”

“Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia.”

“sei que pretendia dizer alguma coisa muito especial pra você, alguma coisa que faria você largar tudo e vir correndo me ver”


“O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.”

“Quanto ao resto, ladies e gentlemen, eu me calo. Só não conto qual é o segredo da vida porque ainda não aprendi. Mas um dia eu serei o segredo da vida. Cada um de nós é o segredo da vida e um é outro e o outro é um.”

(Um Sopro de Vida)

“… e eu estava só sem precisar de ninguém. É difícil porque preciso repartir contigo o que sinto. O mar calmo, mas a espreita e em suspeita. Como se tal calma não pudesse durar. Algo está sempre por acontecer. O imprevisto improvisado e fatal me fascina. Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo. Você tornou-se um eu. É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o encontro real entre nós dois? Difícil contar… olhei pra você fixamente por alguns instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita.”

(Água viva)

“Mas é que a verdade nunca me fez sentido. A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo – para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei? Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.”

“Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar- a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas”

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3 03UTC novembro 03UTC 2008 at 3:25 AM (Leituras)

Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão.

Vinícius de Morais

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